1º de Abril: Mentirinha, brincadeira ou bullying?

O dia 1º de abril é tradicionalmente conhecido como o Dia da Mentira. Uma data em que, ao longo dos anos, foi incentivada a prática de brincadeiras e pegadinhas, muitas vezes inofensivas, mas que também podem carregar consequências inesperadas, especialmente no universo escolar. Será que todas as mentiras contadas nesse dia realmente são apenas uma brincadeira? Ou algumas podem causar desconforto e até mesmo evoluir para algo mais preocupante, como o bullying?
Você sabia que o Dia da Mentira foi quando houve a mudança do calendário, fazendo com que o Ano Novo passasse a ser comemorado em 1º de janeiro, e não mais no final de março? Aqueles que continuaram a celebrar a data antiga eram alvo de piadas e trotes, e a prática se espalhou pelo mundo.
Ao longo dos séculos, o 1º de abril tornou-se um dia para pregar peças, contar histórias falsas e brincar. No entanto, quando olhamos para essa tradição no contexto escolar, surgem algumas reflexões importantes sobre os limites entre a diversão e o respeito.
As crianças, especialmente as menores de 12 anos, ainda estão em processo de construção de sua percepção sobre a realidade. Elas confiam nos adultos e nos colegas e, muitas vezes, não conseguem diferenciar o que é uma brincadeira do que é uma mentira maldosa. Isso pode gerar sentimentos de frustração, insegurança e até mesmo medo.
Além disso, algumas pegadinhas podem ser humilhantes ou constrangedoras para quem está sendo alvo da brincadeira. Crianças que ainda não desenvolveram totalmente a habilidade de lidar com frustrações podem se sentir enganadas ou humilhadas, prejudicando sua autoestima e confiança nos outros.
Já o bullying é caracterizado por agressões repetitivas, que podem ser físicas, verbais ou psicológicas, com a intenção de humilhar ou ferir alguém. No Dia da Mentira, algumas brincadeiras podem ultrapassar o limite do respeito e se tornar motivo de zombaria e exclusão.
Exemplos: como espalhar um boato sobre um colega, fazer piadas sobre características pessoais ou enganar intencionalmente alguém de forma a causar constrangimento são atitudes que podem marcar negativamente uma criança. O que pode parecer uma simples brincadeirinha para quem faz, pode ser uma experiência dolorosa para quem recebe.
Os adultos têm um papel fundamental na mediação dessas interações. É possível incentivar o bom humor e a criatividade sem permitir que a brincadeira ultrapasse o limite do respeito. Algumas formas de fazer isso como: ensinar a diferença entre brincadeira e humilhação, uma boa pegadinha diverte a todos, enquanto uma brincadeira de mau gosto constrange e magoa. Estimular a empatia, perguntar à criança como ela se sentiria se estivesse no lugar do outro ajuda a desenvolver a consciência sobre seus atos.
Supervisionar, orientar e conversar com as crianças sobre os tipos de brincadeiras aceitáveis e reforçar que ninguém deve se divertir às custas do sofrimento do outro. Reforçar valores como honestidade, mesmo no Dia da Mentira, é importante que as crianças entendam que a verdade é um valor essencial para manter relações de confiança.
O Dia da Mentira pode ser um momento de diversão e criatividade, desde que conduzido com respeito e empatia. No entanto, é fundamental que pais, educadores e responsáveis fiquem atentos para que a brincadeira não se transforme em uma experiência negativa para ninguém. Assim, garantimos que a data continue sendo lembrada como um dia leve e divertido, sem abrir espaço para práticas que possam ferir ou humilhar. Afinal, a melhor brincadeira é aquela em que todos se divertem, e não apenas alguns.
Divulgação: Vânia Monteiro