Abertura da Colheita da Maçã 2026 destaca força econômica do setor e potencial turístico da região

Abertura da Colheita da Maçã 2026 destaca força econômica do setor e potencial turístico da região

Com crescimento de 81% na produção em Fraiburgo, 36% em Santa Catarina e 25% no Brasil, a Abertura da Colheita da Maçã 2026, realizada em Fraiburgo, mostrou o potencial catarinense na produção de uma das frutas mais relevantes do agronegócio brasileiro. O evento reuniu autoridades municipais, estaduais e federais, lideranças do setor produtivo e entidades, marcando o início de um novo ciclo que une produção, mercado, ciência, política pública, turismo e desenvolvimento regional.

 

Durante a cerimônia, o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã – ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque, destacou que a safra 2026 simboliza retomada, resiliência e confiança no futuro, após dois anos fortemente impactados por adversidades climáticas. Segundo ele, além do volume expressivo, a colheita deste ano se destaca pela qualidade excepcional, com frutos maiores, excelente coloração, elevada sanidade e atributos que colocam a maçã brasileira entre as melhores do mundo, tendo o sabor como diferencial reconhecido internacionalmente.

 

“O que celebramos nesta safra vai além de números. Ela representa a capacidade de adaptação e o trabalho incansável dos produtores”, afirmou Moisés, ao ressaltar que o setor da maçã ocupa pouco mais de 35 mil hectares no país, com potencial produtivo superior a 1,35 milhão de toneladas por ano, gerando mais de 121 mil empregos diretos e indiretos.

 

Santa Catarina lidera a produção nacional, com mais de 17 mil hectares plantados e cerca de 3 mil pomicultores, concentrados principalmente nos polos de Fraiburgo e São Joaquim. Um dado que evidencia o impacto social da cadeia é que 78% dos produtores catarinenses são agricultores familiares, reforçando o papel da maçã no desenvolvimento regional, na geração de renda e na permanência das famílias no campo.

 

 

Mercado externo e desafios estruturais

 

O presidente da ABPM destacou ainda a expectativa de duplicação das exportações, superando 60 mil toneladas e alcançando mais de 15 países. Ele lembrou que o Brasil é o único país do mundo a erradicar a Cydia pomonella, resultado de uma atuação integrada entre governo federal, governo estadual, órgãos de fiscalização e setor produtivo, com impacto econômico estimado em bilhões de reais ao longo dos anos.

 

Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar a inspeção da maçã na origem em Santa Catarina e o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao suco concentrado de maçã, que afeta cerca de 21% da produção nacional, parcela considerada estratégica para o equilíbrio do mercado.

 

 

Atuação política e institucional

 

O deputado federal Ismael dos Santos relembrou a atuação do Parlamento na defesa do setor, citando a articulação que impediu a entrada da maçã chinesa no mercado brasileiro a preços reduzidos. “Cerca de 100 mil empregos em Santa Catarina estariam ameaçados. Atuamos junto ao Ministério da Agricultura e vencemos essa batalha”, afirmou, destacando a força da Frente Parlamentar da Agropecuária, a maior do Congresso Nacional.

 

Já o deputado federal Valdir Cobalchini reafirmou o compromisso de levar as demandas do setor à Brasília, especialmente em relação ao tarifaço do suco de maçã e à proteção do produtor nacional. Ele também valorizou Fraiburgo como terra da maçã e polo agroindustrial, destacando a importância do Encontro Nacional sobre Fruticultura de Clima Temperado – ENFRUTE, evento que consolida o município como referência nacional da fruticultura de clima temperado. O evento já está em sua 19ª edição, reunindo as principais lideranças e profissionais do setor.

 

Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, o chefe da Divisão de Desenvolvimento Rural – DDR-SC, Francisco Powell, confirmou o planejamento michuimpara a retomada da inspeção da maçã na origem, com uma força-tarefa integrada entre União, Estado e iniciativa privada, visando facilitar a logística, otimizar recursos e garantir certificação às exportações, evitando entraves burocráticos.

 

O secretário Adjunto da Secretaria da Agricultura, Pesca e Pecuária de Santa Catarina – SAPE, Admir Edi Dalla Cort, representando o governador Jorginho Mello, destacou que Santa Catarina adotou um modelo de gestão compartilhada com os municípios, por entender que o dia a dia do cidadão acontece no território local. “O Governo do Estado tem atuado de forma integrada com os municípios porque é lá que as políticas públicas precisam chegar de forma efetiva. Santa Catarina é referência nacional justamente por esse modelo”, afirmou Dalla Cort.

 

Ele ressaltou ações conduzidas pelo governo estadual, como a melhoria da malha rodoviária, o avanço na saúde pública, o acesso ampliado à universidade gratuita e, especialmente, o fortalecimento das políticas voltadas ao agronegócio. Dalla Cort também defendeu a necessidade de políticas de médio e longo prazo para o setor, lembrando que grandes países exportadores adotam forte protecionismo agrícola. “Precisamos garantir melhores condições de crédito e mecanismos de proteção ao produtor rural. Falo não apenas como secretário, mas como produtor rural, alguém que conhece a realidade do campo”, destacou.

 

O secretário também enfatizou o papel estratégico da EPAGRI e da CIDASC, classificadas como referências nacionais em pesquisa, extensão rural e defesa sanitária, fundamentais para o atual patamar do agro catarinense. Segundo ele, a fruticultura, aliada ao turismo de experiência, tem potencial para impulsionar ainda mais o desenvolvimento regional.

 

 

Prefeitos falam da integração regional

 

Falando em nome de todos os prefeitos da região presentes, o prefeito de Concórdia, Edilson Massocco, defendeu o agronegócio como gerador de emprego, renda e qualidade de vida, ressaltando a necessidade de maior descentralização de recursos e valorização do setor produtivo.

 

Já o prefeito de Fraiburgo destacou que a maçã é o carro-chefe da economia local, respondendo por cerca de um quarto da movimentação econômica do município, com impacto ampliado quando integrada à indústria. Ele ressaltou que foi a maçã que impulsionou o turismo e defendeu a integração regional por meio da Rota da Amizade, reforçando que o desenvolvimento acontece de forma coletiva.

 

O prefeito de Fraiburgo destacou que a abertura da safra é, ao mesmo tempo, um momento simbólico de celebração e um espaço estratégico para o debate dos desafios do setor. Ele valorizou a fala técnica do presidente da ABPM e reforçou a importância do apoio político e institucional às pautas apresentadas. “A maçã é o carro-chefe da nossa economia. Sozinha, representa cerca de um quarto da movimentação econômica do município. Quando integrada à indústria, esse impacto é ainda maior”, afirmou o prefeito.

 

Segundo ele, foi a maçã que abriu caminho para o desenvolvimento do turismo em Fraiburgo. Por isso, o município trabalha uma estratégia que vai além da colheita, com foco nas quatro estações do ano, fortalecendo o turismo ao longo de todo o calendário. O prefeito também defendeu a integração regional, destacando que nenhum município se desenvolve de forma isolada. “É a união dos municípios, cada um com sua vocação, que permite fortalecer a região. A Rota da Amizade é um exemplo claro desse caminho”, pontuou.

 

Por fim, ele também citou o I Fórum de Turismo IGR Vale dos Imigrantes, realizado no dia 29/01, nas dependências do Hotel Renar. Segundo o prefeito, iniciativas como essa, realizadas pela ABRAJET-SC – Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, é fundamental para o crescimento do turismo e desenvolvimento local, gerando união para o desenvolvimento do setor e visibilidade de toda região.

 

Representando a Secretaria de Estado de Turismo, a diretora de marketing, inovação e promoção, Dirlei Barbieri Hofner, em nome da secretária de turismo de Santa Catarina, Catiane Seif, destacou Fraiburgo como exemplo de integração entre indústria, agricultura e turismo. Ela reforçou a política de interiorização do turismo e a estratégia de posicionar Santa Catarina como destino turístico o ano todo, com valorização do turismo de experiência no meio rural e destacando as ações de divulgação regional.

 

Michuim e Colheita na lavoura

 

Após a cerimônia, os convidados foram recepcionados nos jardins do Hotel Renar, onde foi servido o tradicional Michuim, prato típico regional que valoriza a gastronomia e a identidade cultural do município. A sobremesa, a saborosa torta de maçã do hotel Renar, uma receita de família, criada pela Dona Gerda Frey Ziolkowski, que até hoje encanta o paladar de quem se hospeda no hotel.

 

Na parte da tarde, os participantes seguiram para a colheita da maçã nos pomares da Empresa Fischer, vivenciando na prática o símbolo da abertura da safra. Após a colheita, um grupo de jornalistas visitou a fábrica e conheceu todo processo produtivo da empresa.

 

Texto: Vânia Monteiro – ABRAJET-SC

Foto crédito: Divulgação 

Falando de Turismo
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