Vinhos de altitude destacam a Serra Catarinense no enoturismo

Descubra os vinhos de altitude da Serra Catarinense, onde frio e maturação tardia das uvas dão origem a diferentes estilos e experiências de enoturismo em 10 vinícolas de São Joaquim, Urubici e região.

Altitude, frio e maturação tardia definem a produção catarinense, que reúne diferentes castas, estilos de vinho e vinícolas abertas à visitação

A Serra Catarinense encontrou na altitude uma condição para desenvolver uma viticultura diferente de outras regiões produtoras do Brasil. Os vinhedos estão concentrados entre 900 e 1.400 metros, em uma área marcada por temperaturas baixas e maturação mais tardia das uvas. A região conquistou em 2021 a Indicação de Procedência (IP) Vinhos de Altitude de Santa Catarina, que abrange 29 municípios.

O frio interfere no ciclo da videira e prolonga o período de maturação. Com isso, a colheita acontece mais tarde e permite que as uvas completem seu desenvolvimento em condições diferentes das encontradas em áreas de menor altitude. A Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) pesquisa há anos a adaptação das variedades ao território e as características físico-químicas e sensoriais dos vinhos produzidos na região.

Entre as principais variedades estão Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Também há espaço para castas como Sangiovese, Malbec, Cabernet Franc, Montepulciano, Vermentino, Tannat e Nebbiolo. A produção inclui vinhos tintos, brancos e rosados, além de espumantes, vinhos licorosos e moscatéis.

A elaboração segue o perfil de cada uva. Depois da colheita, as frutas passam por seleção e processamento, e a vinificação pode incluir fermentação com contato com as cascas nos tintos, diferentes métodos de fermentação nos brancos e, conforme o projeto de cada rótulo, passagem por madeira. Para os vinhos que levam o selo da IP, há critérios de produção e avaliação sensorial.

Enoturismo entre vinhedos e serras

A produção de vinho também mudou a forma de conhecer a Serra Catarinense. São Joaquim e Urubici estão entre os principais pontos de concentração das vinícolas abertas aos visitantes, que podem encontrar degustações, visitas aos vinhedos, experiências gastronômicas e explicações sobre os processos de elaboração. A UFSC mantém um guia específico para o enoturismo de São Joaquim, com informações sobre visitação e acesso às propriedades.

A viagem pelas vinícolas permite acompanhar diferentes propostas de produção dentro de uma mesma região. Algumas propriedades concentram a experiência na degustação; outras combinam vinho com gastronomia, hospedagem ou atividades ao ar livre. O roteiro também aproxima o visitante das paisagens onde as uvas são cultivadas e ajuda a entender como altitude, clima e escolha das variedades participam da elaboração.

Os vinhos da Serra Catarinense também passaram a aparecer em concursos nacionais e internacionais. Entre os reconhecimentos estão medalhas obtidas por rótulos produzidos na região em competições brasileiras e estrangeiras. Em 2026, por exemplo, a Epagri registrou a continuidade das avaliações sensoriais dos vinhos vinculados à Indicação de Procedência, uma das etapas para a certificação dos produtos.

Para quem pretende conhecer a região, o vinho pode ser o ponto de partida para uma viagem pela serra. São Joaquim, Urubici e outros municípios da IP reúnem vinhedos, vinícolas e experiências que podem ser combinadas com gastronomia e atrações naturais.

Clima frio e maturação tardia influenciam a produção de vinhos na Serra Catarinense (Foto: Luiz Fernando Vianna/Epagri)

Confira, a seguir, 10 vinícolas para incluir no roteiro pela Serra Catarinense.

Villa Francioni — São Joaquim (@vinicolavillafrancioni)

Localizada na SC-114, no km 300, em São Joaquim, a Villa Francioni é um dos nomes mais conhecidos dos vinhos de altitude de Santa Catarina. Fundada em 2001, é pioneira nesse movimento e ganhou projeção com rótulos das linhas Villa Francioni, Joaquim e Aparados. Além da produção de vinhos, tornou-se um importante ponto de enoturismo, com visitas guiadas, degustações e uma galeria de arte que integra a experiência oferecida aos visitantes.

Leone di Venezia — São Joaquim (@leone.divenezia)

No distrito de Morro Agudo, em São Joaquim, a cerca de 1.300 metros de altitude, a Leone di Venezia aposta na identidade italiana de seus fundadores. A vinícola cultiva variedades de origem italiana e procura reproduzir essa influência também na elaboração dos vinhos. Tem cinco hectares de parreirais e uma estrutura voltada ao enoturismo, com degustações guiadas, piqueniques, harmonizações e atividades especiais durante a vindima.

Vinícola Suzin — São Joaquim (@vinicolasuzin)

A Suzin é uma das pioneiras no cultivo de uvas em São Joaquim. A família iniciou as atividades em 2001 e mantém um projeto de produção em pequena escala, com manejo cuidadoso dos vinhedos e colheita manual. Entre as variedades cultivadas estão Cabernet Sauvignon, Merlot, Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Montepulciano, Petit Verdot e Cabernet Franc. O vinhedo está a cerca de 1.200 metros de altitude, e a amplitude térmica da região é um dos elementos importantes para a concentração e estrutura dos vinhos.

Vinícola Pericó — São Joaquim (@vinicolaperico)

Fundada em 2002, em São Joaquim, a Pericó está entre as marcas que ajudaram a consolidar a produção de vinhos de altitude na Serra Catarinense. A propriedade está inserida no terroir do Vale do Pericó, região conhecida pelas elevadas altitudes e pelo clima frio. A vinícola integra o circuito de enoturismo da região e participa das principais programações relacionadas aos vinhos de altitude de Santa Catarina.

Villaggio Bassetti — São Joaquim (@villaggiobassetti)

A Villaggio Bassetti fica na SC-114, a aproximadamente 10 quilômetros do centro de São Joaquim. Os vinhedos estão entre 1.267 e 1.319 metros de altitude e começaram a ser implantados em 2005. A vinícola trabalha com variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Sauvignon Blanc e tem como uma de suas características a produção de vinhos de perfil elegante e de boa estrutura. Também mantém receptivo para visitas, degustações e contato com os vinhedos.

Vinhedos do Monte Agudo — São Joaquim (@vinhedosdomonteagudo)

Localizado na região do Morro Agudo, na SC-114, o Monte Agudo é um projeto boutique dedicado à produção de vinhos finos em quantidade limitada. A propriedade tem cerca de 5,5 hectares de vinhedos, a uma altitude média de 1.280 metros, e se consolidou como um endereço de enoturismo. A vinícola ganhou destaque por suas variedades de Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Malbec e Riesling Renano.

Vinícola Quinta da Neve — São Joaquim (@quintadaneve)

Com vinhedos a cerca de 1.210 metros de altitude, em São Joaquim, a Quinta da Neve é outro nome associado à origem e ao desenvolvimento dos vinhos de altitude catarinenses. A propriedade é considerada pioneira nesse segmento e trabalha com a produção de vinhos finos adaptados às condições climáticas da Serra. A vinícola recebe visitantes e integra a Rota dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina.

Vinícola Thera — Bom Retiro (@vinicolathera)

A Vinícola Thera é uma das principais referências da Serra Catarinense fora do eixo de São Joaquim. Localizada em Bom Retiro, trabalha com uma proposta de vinícola boutique e produção de vinhos e espumantes de altitude. Seu Anima Brut, por exemplo, alcançou 93 pontos na Grande Prova de Vinhos do Brasil 2025 e foi reconhecido como destaque na categoria de espumante Brut Branco pelo método Charmat. A vinícola também integra o circuito de experiências de enoturismo da região.

Vinícola Serra do Sol — Urubici (@vinicolaserradosol)

A Serra do Sol representa Urubici no mapa dos vinhos de altitude catarinenses. A vinícola vem ganhando reconhecimento por rótulos que exploram variedades e estilos, incluindo vinhos e espumantes. Com início da plantação em 2004, está a 1250 metros de altitude. A propriedade também está inserida na rota de experiências enoturísticas da Serra.

Abreu Garcia — Campo Belo do Sul (@vinicolaabreugarcia)

A Vinícola Boutique Abreu Garcia fica em Campo Belo do Sul, a cerca de 900 metros de altitude, e amplia o mapa dos vinhos de altitude para além de São Joaquim e Urubici. Fundada em 2006, cultiva oito variedades de uvas e produz vinhos brancos, tintos, rosés e espumantes. O projeto tem uma proposta mais boutique, com foco na expressão do terroir serrano, e integra a programação oficial da Vindima de Altitude de Santa Catarina.

Crédito: Diogo Schimitz/Divulgação/Amures

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